segunda-feira, maio 27, 2002

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"Pagai o mal com o bem, porque o amor é vitorioso no ataque e invulnerável na defesa."
Lao-Tsé, filósofo e sábio, CHI, 600aC
Lula e Machado


Lula irritou-se com perguntas sobre sua escolaridade. Estava na Bahia, participando de um palanque eletrônico, em rede de 20 emissoras de rádio que abrangem 350 dos 417 municípios baianos.

Um ouvinte disse que rejeitava Lula por ele não ter freqüentado a universidade. Em resposta, o candidato à Presidência da República pelo PT comparou-se a Machado de Assis: ''Muitos brasileiros confundem inteligência com escolaridade. A essas pessoas quero dizer que Machado de Assis nunca freqüentou a universidade. Nem por isso deixou de ser um dos maiores escritores da língua portuguesa de todos os tempos.'' Acrescentou: ''Não vou governar livros, não vou governar estatísticas, eu vou governar crianças, eu vou governar gente como você.'' E reiterou que o PT está mais ''light''.

Machado de Assis era preto, pobre, gago, epiléptico, órfão, casou-se com uma solteirona e não teve filhos. A vida oferecia-lhe um placar adverso: 7 x 0. Sete eram os preconceitos vigentes contra ele naquela sociedade que escravizava os negros, prezava a retórica, ainda que vazia, e considerava certas doenças, como as nervosas, castigos que os descendentes pagavam por pecados cometidos por seus ancestrais. Por último, nas várias brumas que cobrem sua biografia, diz-se que Carolina casou-se com ele porque tinha comido a merenda antes do recreio em Portugal. Por castigo, os parentes a teriam trazido para o Brasil. Por pirraça, ela teria se aproximado de um mulato. Mas daí surgiu o amor, que tudo mudou nas duas existências. Ser estéril era outro castigo, mas tudo indica que foi opção dos dois não terem filhos. Como evitaram, é segredo que levaram para o túmulo. A Igreja não gosta de casais sem filhos. A função essencial do casamento é procriar, diz a doutrina. A missão essencial da mulher é ser mãe, dizem biólogos e antropólogos. E à falta deles, a natureza.

Lula enfrenta um placar adverso em sua vida. Tem todo o direito de comparar-se a Machado de Assis. Ambos têm origens humildes, ambos deixaram a pobreza pela via do trabalho e do talento combinados. Tal aliança é quase sempre indestrutível. É difícil vencer o talentoso que trabalha.

Machado deixou a pobreza para tornar-se, no mínimo, um grande escritor.

Para quase todos, é o maior que já tivemos. Lula é um grande político, um líder carismático. Mas entre tantas batalhas que já travou e outras tantas que estão por vir, enfrenta má vontade atávica na sociedade brasileira contra o pobre, desdobrando-se em muitos preconceitos, que vão da cor à escolaridade.

Mas qual escolaridade? Apesar dos inegáveis avanços técnicos, somos um país de bacharéis. Temos também uma boa taxa de doutores, em sentido estrito, e analfabetos em larga escala. Quer dizer, as especialidades entre nós trilharam caminhos desconcertantes. Outro dia soube de um sujeito que, amparado pelo dinheiro público, doutorou-se no exterior com uma tese sobre a língua de uma ave. Esse sujeito é doutor. Está mais bem preparado do que Lula para a Presidência da República?

Também Machado de Assis foi vítima de intolerância e demagogia semelhantes. No governo Floriano Peixoto, em abril de 1894, o jornalista Diocleciano Martir publicou uma lista de ''maus patrícios e hipócritas monarquistas, pagos fartamente pelos cofres da nação para dizerem mal de si próprios e cavarem a ruína da Pátria''. Machado de Assis estava nessa lista. Era uma calúnia infame, como são todas as calúnias.

As qualidades e os defeitos de Lula não passam pela universidade.
Examinemos outros mirantes, como o seu programa de governo, e deixemos de lado os preconceitos. Onde está escrito que o candidato à Presidência deve ter curso superior? Aliás, se fosse exigência, aquelas faculdades que distribuem diplomas sem que os alunos sequer freqüentem as aulas, resolveriam o problema. Machado, se quisesse freqüentar universidade, teria que ir ao exterior. O Brasil não tinha universidades no seu tempo.

Deonísio da Silva, é escritor e professor do Departamento de Letras da UFSCar. É colaborador regular da revista Caras e do Jornal do Brasil. Entre seus livros, já publicados também em outros países, estão os romances Avante, soldados: para trás (Prêmio Internacional Casa de las Américas) e Teresa (premiado pela Biblioteca Nacional). Seus livros mais recente são o romance Os Guerreiros do Campo e De Onde Vêm as Palavras.

Artigo publicado na Novae com autorização do autor -
Publicado originalmente no Jornal do Brasil - Opinião

Tutorial


Um bom tutorial de modelagem com massa Sculpey.

3DOnline

quinta-feira, maio 23, 2002

Velho oeste


Você é bom no gatilho?
MMonline/MSN


Cerimônia de entrega foi realizada ontem no Espaço D, em SP.

Os vencedores do Prêmio.

quarta-feira, maio 22, 2002

Por essas e outras...


Vírus do KaZaA já fez vítimas no Brasil

desinstalei o KaZaA, so de Spyware achei uns vinte.
Sera Osama?


FBI alerta Nova York para novos ataques

terça-feira, maio 21, 2002

Coceira


Se você trabalha com programas de edição de imagem, não escaparas!

segunda-feira, maio 20, 2002

Agora vai


KaZaA destrincha nova fase do serviço.
Pena de morte a céu aberto


Leila Cordeiro - Direto da Redação

?Se for preciso, para garantir a ordem, que sejam mortos cem, quinhentos, mil bandidos? Foi com essa sentença de pena de morte à céu aberto que o Prefeito do Rio, César Maia, criticou o aparelho policial do Estado do Rio, no combate à criminalidade.

A declaração do Prefeito vem provar o despreparo das autoridades para tratar de um problema tão delicado como esse: a insegurança nas grandes cidades. É uma afirmativa irresponsável e eleitoreira e se aproveita de um momento em que a população está fragilizada por uma nova onde de criminalidade. Não será com uma execução em massa que se resolveria a questão da violência, fruto de décadas de omissão e injustiças sociais.

Nossa história, registra a abolição da escravatura pela Princesa Isabel, mas na carta de alforria não havia uma cláusula dando ao escravo todos os direitos de um cidadão realmente livre. Discriminados, aos ex-escravos restou o crime como meio de sobrevivência. Analfabetos, não tiveram direito ao mercado de trabalho e roubar foi a solução para conseguir dinheiro. Isso, numa terra onde já parecia normal a prática do roubo. Os nossos descobridores deram o mau exemplo. Roubaram nossas riquezas para engordar os cofres de Portugal e encher os próprios bolsos. Uma terra sem lei, onde tudo era permitido. Sexo liberado, matança de índios, posse indevida de terras, roubo, corrupção, disputa pelo poder. Uma terra que começou de maneira errada acabou se transformando num país de erros e injustiças sociais.

A revolta tomou conta dos injustiçados e uma deformação de caráter e valores foi passando de pai para filho até chegar aos dias de hoje, onde a violência tomou proporções de guerra civil. Os pobres desceram os morros, saíram de seus guetos de miséria e estão correndo atrás do prejuízo. Não pretendo aqui justificar a criminalidade que atinge o cidadão brasileiro todos os dias. Mas também não posso concordar com a declaração do prefeito do Rio: a violência contra a violência. O perigo de uma empreitada como essa é a própria polícia brasileira. Com homens despreparados e até muitos envolvidos com o crime, fica difícil confiar nessa matança indiscriminada sugerida por César Maia. Certamente, muitos inocentes seriam sacrificados nessa caçada.

O combate ao crime deve ser enérgico e eficiente, mas antes é preciso formar um efetivo policial digno da confiança da população. Policiais confiáveis que recebam salários dignos e não precisem levar propinas para acobertar o crime organizado e até mesmo dele participar. Não basta combater os traficantes nos morros e favelas, é preciso também investigar quem são os poderosos que financiam essa rede de tráfico que envolve tanto poder e dinheiro.

Na véspera de uma eleição importante, a população deve repudiar essas declarações demagógicas, como a do Prefeito Cesar Maia. O povo brasileiro já mostrou que não é bobo. Não quer mais ser enganado com falsas promessas. Quer uma polícia enérgica sim, mas não carrascos fardados nas ruas, espalhando mais medo e terror. Chega de tiroteios, confrontos e violência. O que o brasileiro precisa agora é confiar no seu país e em alguém que realmente se preocupe com a sua tranquilidade.

É hora de repensar os erros do passado e impedir que o Brasil se transforme numa Faixa de Gaza...

Sobre o autor: Começou como repórter na TV Aratu, em Salvador. Trabalhou depois nas TVs Globo, Manchete, SBT e na CBS Telenotícias Brasil, como repórter e âncora. É também artista plástica e tem dois livros publicados.




Brahma Kumaris


"Enviar pensamentos elevados para a atmosfera tem sua recompensa. Não
apenas o receptor de tais vibrações puras se beneficia, mas o emissor
também experimenta retorno positivo em seus pensamentos e atividades."

Dia de Ana Neri (Enfermeira Símbolo no Brasil), Dia do Comissário de Menores.

Farmácia de Pensamentos

domingo, maio 19, 2002

Vale a visita


Ainda esta no começo mas não deixem de visitar o Hangar.
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sexta-feira, maio 17, 2002

Ei Gates


Novo pacote de correções do IE não funciona.
Tai


A grande vantagem de não ter bunda é que, quando vecê peida não faz barulho.
Que dia é hoje?


Hoje é, Dia Internacional da Comunicação e das Telecomunicações.
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"A grande tolice da humanidade foi fazer do amor uma idéia. O amor é um instinto.
Dar-lhe cérebro é entristecê-lo."
Godofredo de Alencar


Toda noite


O blog da MTV...

,,,é classe!
NewsLetter Novae


Planeta Terra, 17 de maio de 2002.


INÉDITOS

::: MUNDO POP

DIVIDENDOS E VALORES
Por Gislene Bosnich
O capitalismo parece transformar-se numa entidade sem nome que
absorve as habilidades e os valores de todos em troca de um salário ou
um cachê. Uma teia nefasta que só não mata o lucro.
mais

::: UNIVERSO 21

CONTRIBUIÇÃO DA ALMA BRASILEIRA
Por Sérgio Buaiz
No fim das contas, se existe um país no mundo capaz de promover
qualquer mudança significativa para a humanidade, este país é o Brasil.
mais


DESTAQUES


::: PÁTRIA NO GUICHÊ

A FARRA DOS BANCOS
Por Vanderlei Pequeno Teixeira
Tudo que você sempre quis saber sobre os "lucros" do "sistema
banqueiro", e nunca teve estômago para perguntar. Entenda o
verdadeiro "custo Brasil" que apavora os tiranos da economia brasileira
e escraviza um País.

Leia artigo Completo:
mais

::: E AGORA, MUNDO?

A RAPINA É VIRTUDE NA CIVILIZAÇÃO MERCANTILISTA
Por Rodrigo Quesada Monge
A civilização mercantilista quer justificar seus desmandos contra
aqueles que têm algo de valor e o delito dos pobres é a possessão da
cultura. Dessa forma a intolerância adquire estatuto de legitimidade. Um
vício com apoio da mídia "globalizada".
mais

::: FAUNA GLOBAL

POMBALISMO VIRTUAL
Por José Paulo Bandeira da Silveira
Uma categoria política que é engendrada pela existência dos intelectuais
como massa social no aparelho de estado e na cultura eletrônica da
indústria de comunicação. Habitam como grupelhos, panelinhas,
igrejinhas, sultanatos.
mais

::: NOVAS VOZES

A BUNDALIZAÇÃO DAS IDEOLOGIAS
Por Anderson Rodrigo Masetto
A cultura que os nossos meios de comunicação nos passa se resume
apenas a uma palavra: BUNDA.

E muito + olhar crítico e independente. Confira Novas Vozes:
mais

EVENTO

::: CONHECIMENTO LIVRE

CULTURA MEDIÁTICA
Curso livre gratuito irá mostrar a aplicação de novas tecnologias em
mídia nos diversos campos do conhecimento. A iniciativa é da escola de
Comunicação e Artes da USP
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::: PELA LIVRE EXPRESSÃO

CAMPANHA REVISITA O SIGNIFICADO DOS PRINCIPAIS
TERMOS DA "NOVA ECONOMIA"

Confira, imprima, dissemine:
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A fome, segundo Ziegler


por Emir Sader

A fome não foi o único motivo de indignação por parte do representante das Nações Unidas, Jean Ziegler, na sua visita de 18 dias ao Brasil. Ele se indignou igualmente pela contraposição entre uma elite de governo altamente preparada intelectualmente e a falta de disposição para colocar esses conhecimentos a serviço de mudar a indignante situação em que deixam o país. Um governo que, estivesse vivo Josué de Castro, o teria insultado e tentaria desmoralizado como ignorante do que passa no Brasil, da mesma forma que tentou fazer com Jean Ziegler.
Ziegler conhece muito bem o Brasil e a fome no mundo. De seu livro "A fome no mundo explicada a meu filho", ele nos fala dela.
A FAO avalia em seu último relatório em mais de trinta milhões o número de pessoas mortas de fome em 1999 e, para o mesmo período, em mais de oitocentos e vinte e oito milhões os seres atacados pela desnutrição grave e permanente.
Cento e quarenta e seis milhões de cegos vivem nos países da África, da Ásia e da América Latina. Todo ano sete milhões de pessoas, normalmente crianças, perdem a vista, na maioria das vezes por falta de uma alimentação suficiente ou como conseqüência de doenças vinculadas ao subdesenvolvimento.
A FAO elaborou, há mais de quinze anos, um relatório em que observava que o mundo, no estado atual das forças produtivas agrícolas, poderia alimentar sem problemas a mais de 12 bilhões de habitantes, isto é, ao dobro da população mundial atualmente. Alimentar quer dizer dar a cada homem, mulher e criança uma ração equivalente a duas mil e quatrocentas calorias diárias, dado que as necessidades alimentares variam segundo os indivíduos em função do trabalho que realizam e das zonas climáticas de onde provêm.
"Em Crato, no Ceará, ao lado do cemitério católico oficial eu vi um vasto campo semeado de pequenas colinas: "crianças anônimas", me disse Cícero, meu amigo camponês que me recebeu. Crianças anônimas, mortas nos primeiros dias ou semanas de sua chegada a este mundo, de fome, de rubéola, de diarréia ou de desidratação. Seus pais são pobres demais para registrá-las na prefeitura, mesmo se legalmente deveriam tê-lo feito. A prefeitura cobra um real ou dois pelo registro, então o pai, a mãe ou um irmão maior que sobreviveu, pegam o corpinho inerte durante a noite, fazem um buraco no "campo das crianças anônimas" e introduzem o recém-nascido da família.
A cada minuto nascem duzentas e cinqüenta crianças no mundo, cento e noventa e sete delas em um dos cento e vinte e dois países do Terceiro Mundo. Muitos deles chegam a uma dessas zonas de túmulos anônimos pouco depois de seu nascimento.
Atualmente se utiliza um quarto da colheita mundial de cereais para alimentar o gado dos países ricos. As doenças cardiovasculares devidas à super-alimentação provocam entre nós, na Europa, cada vez mais vítimas, enquanto que em todo o Terceiro Mundo os homens morrem de desnutrição.
No Médio Oeste norte-americano e na Califórnia, os bois são alimentados com cereais em imensos recintos climatizados que eles denominam fedd lots, por meio de um sistema eletrônico de distribuição pautada do alimento. A quantidade de milho consumido anualmente pela metade dos fedd lots californianas é mais importante que o conjunto das necessidades de um país como Zâmbia, onde este cereal é um alimento essencial e, em compensação, está devastado por uma subalimentação crônica.
Não conheço nenhum colégio em que o tema da fome, que a cada dia mata mais gente do que todas as guerras juntas do planeta, figure em seu programa. Não existe nenhum tipo de curso em que o problema da fome seja analisado, seja discutido, em que se examinem suas raízes e os meios de acabar com ela.
A FAO está mais ou menos obrigada a mentir sobre as perspectivas de futuro, pois se não o fizesse, os países ricos deixariam de mandar para Roma consideráveis somas de dinheiro, porque deixariam de considerá-las úteis. É uma mentira piedosa. Relatório de 1974 terminava com esta promessa: "Em seis anos não haverá homem, mulher ou criança na terra que tenha que ir para a cama com a barriga vazia." E o Fórum Mundial sobre Alimentos de 1996, em Roma, concluía assim: "No ano 2015 conseguiremos que o número de pessoas que sofrem fome no mundo diminua pela metade". A promessa de 1974 deu no seu contrário: o número de necessitados aumentou. A de 1996 parece que também será falsa.


Emir Sader é jornalista e escritor.

fonte: Caros Amigos